Floresta será o cenário do próximo Tweed Ride BH

“Minha vida também é essa: pedalar pelo bairro Floresta” a paródia a famosa frase do compositor Rômulo Paes, que fica registrada em monumento na rua da Bahia, com Álvares Cabral, é o tema do  passeio retrô de bicicletas, Tweed Ride BH, no próximo domingo, 22, na capital mineira. O evento visa promover um olhar a vários detalhes da região que está intimamente ligada à história da cidade. O passeio irá passar por ruas e casarões históricos da região.
O bairro Floresta tem charme e belezas singulares. Casarões antigos ao lado de prédios modernos, árvores centenárias, praças, escolas e tradição cultural. Os organizadores do Tweed Ride BH querem promover uma experiência pelo bairro que ficou famoso em diversas frases como a do Romulo Paes, pelos bondes que vinham do tradicional bairro Floresta, subiam a rua da Bahia e pelas histórias do lugar. “Na época dos bondes as bicicletas também já circulavam pelo bairro Floresta. Ele nasceu para abrigar operários que trabalharam na construção de Belo Horizonte e muitos desses operários trouxeram na viagem suas bicicletas”, declara Gil Sotero, jornalista e co-organizador do evento.
O passeio pelo Floresta integra a  comemoração dos 120 anos de Belo Horizonte. Inspirada na arquitetura de cidades modernas como Paris e Washington, Belo Horizonte só ganhou alma e corpo por meio dos diversos ofícios dos trabalhadores que vinham de várias partes do mundo e tinham como ponto de chegada a Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Vitória Minas. Segundo a também jornalista e  co-organizadora do Tweed Ride BH, Nivia Machado, a participação dessa atual edição tem um gosto especial. ” Nasci no Santa Tereza e estudei a infância e adolescência no colégio mais antigo da capital, o Santa Maria e passar por ele de bicicleta vestida com trajes retrô é como se eu pudesse voltar ao passado de minha infância e sentir novamente o cheiro da  merenda que trazia de casa”, conta.
O Tweed Ride BH além de promover a bicicleta como um meio de transporte do dia a dia, ele vai além no sentido de promover sentimentos da memória afetiva que vem desde o uso de roupas e assessórios vintage e retrô, até a lembrança da infância quando passava pelas ruas do bairro. Afinal qual belohorizontino nunca subiu Bahia e desceu floresta?
Tweed Ride BH
Os participantes do TWeed Ride BH  se  inspiram em figurinos e acessórios das décadas de 40 e 50 e pedalam pela cidade promovendo o uso da bike, algumas delas vintage resgatadas de acervos familiáres e antiquarios. Resgatando o patrimonico histórico, redescobrindo a memoria nas ruas da cidade.  O principal objetivo é conscientizar a população do uso da bicicleta nos bairros e como esse usa estabelece uma outra relação com a cidade e sua mémoria. O Tweed Ride BH começou a realizar passeios em 2013 inspirando em um movimento nascido em Londres.
Serviço
Tweed Ride BH – Primavera na Floresta
22/10 às 9h.
Praça Comendador Negrão de Lima, Floresta, Belo Horizonte
Mais informações tweedridebh@gmail.com

 

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Tweed Ride homenageia os 120 anos de Belo Horizonte

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Passeio irá que valorizar os construtores da cidade. Foto Fê Costa

A edição de inverno do Tweed Ride BH acontece no domingo, 6 de agosto, às 9h, no Museu de Artes e Ofícios (MAO) e vai homenagear a primeira capital planejada do Brasil, que comemora 120 anos, em dezembro. Inspirada na arquitetura de cidades modernas como Paris e Washington, Belo Horizonte só ganhou alma e corpo por meio dos diversos ofícios dos trabalhadores que vinham de várias partes do mundo e tinham como ponto de chegada a Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Vitória Minas.

tweed ride inverno 2017

O dia de homenagens aos primeiros cidadãos trabalhadores da cidade vai começar com um café coletivo, no saguão de entrada do Museu, onde os apreciadores do universo vintage  vão assistir ao pocket show da Banda Faca Amolada.

 A programação se estende com uma visita guiada ao acervo do MAO. “É importante lembrar também que o Tweed Ride celebra a bicicleta como um meio de transporte de todas as épocas e que muitas pessoas daquele período que moravam além do horizonte da avenida do Contorno tinham a bicicleta como seu principal meio de transporte. Não é à toa que escolhemos o Museu de Artes e Ofícios que exatamente homenageia as profissões que compunham a sociedade belorizontina no início do século passado”, declara Gil Sotero, jornalista e co-produtor  do Tweed Ride BH.

Ele completa que a noção de elegância é uma construção social vinculada a cada época e que o Tweed revive essa elegância dos tempos passados: “Muita gente de maneira equivocada acha que o Tweed Ride BH é um pedal elite pois as pessoas capricham no visual que hoje é vinculado a uma camada da sociedade apenas. Basta uma pesquisa familiar ou rever os álbuns de fotografia de seus avós e antepassados  para se inteirarem de como se vestiam essas pessoas ou as fotos do grande retratista Chichico Alkmim,  Diamantina, que retratou a população mineira há décadas. Não existia a produção fastfashion e as roupas eram feitas por familiares ou encomendadas. Os trabalhadores possuíam poucas roupas e era absolutamente normal sair de casa com blazer, gravata e chapéu. Nós revivemos essa época como se o Tweed fosse a missa de domingo” brinca Sotero.

Chichico Alkmim acervo IMS
Rapaz posa com bicicleta, s/d. Ao fundo um dos painéis pintados por Chichico. Diamantina, MG – Brasil. Fotografia de Chichico Alkmim/ Acervo Instituto Moreira Salles.

A bicicleta era o veículo de muitos trabalhadores. Elas se popularizaram em Belo Horizonte após 1945 segundo o advogado e pesquisador do tema Eric Elias “Os europeus precisavam expandir mercado, por isso principalmente as inglesas vieram para ca em peso após 1945 e nos anos seguinte a bicicleta se consolidou como transporte individual popular”, declarou Eric

Como todas vitórias vêm de esforços, nesta data, o Tweed Ride BH também vai homenagear as lutas dos trabalhadores no processo de construção e crescimento da cidade. De acordo com o portal da PBH, a primeira grande greve dos trabalhadores ocorreu em 1912 e paralisou a cidade por 15 dias. O movimento dos trabalhadores da construção civil teve apoio de grande parte da população e foi por meio desse movimento que os primeiros operários de Belo Horizonte conseguiram ser reconhecidos como cidadãos, com direitos de reivindicar educação, saúde, transporte e moradia.  O movimento antecedeu ao da grande greve geral do Brasil que ocorreu em 1917 e que completa 100 anos.

Imigrantes 

Para construir a nova capital de Minas Gerais às pressas o engenheiro chefe da Comissão Construtora Francisco Bicalho, com chancela do governo de Minas, impulsionou a vinda de trabalhadores imigrantes para Belo Horizonte, a partir de 1895. A construção da cidade demandou um exército de operários para a edificação da infraestrutura e dos edifícios públicos e a imigração foi o recurso utilizado por Bicalho para sanar o problema da mão de obra. Os italianos constituíram a maior parte dos trabalhadores imigrantes dessa época. Homens e mulheres que vinham diretamente da Itália, parando em Juiz de Fora e chegando de trem a BH. Estimasse que mais 60 mil italianos tenham vindo para Minas Gerais. 

Os trajes dos trabalhadores enquanto estavam em suas funções consistia em jardineiras, roupas com tecidos grossos, chapéu (ou bonés) e botas.

Depois da concentração, os participantes que forem de bicicleta poderão fazer um passeio pelas ruas da região centro-sul da cidade visitando locais históricos. O encerramento do passeio será no próprio Museu.

 

Serviço

Tweed Ride Edição Inverno 2017

Data: 06 de agosto – Domingo – 9h

Endereço: Museu de Artes e Ofícios (MAO) Praça Rui Brarbosa, 600, Praça da Estação

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/260293761120756/

Assessoria: Nivia Machado

31 98717-5831 – whatsapp: 994582684

Tweed Ride BH lança movimento BH Retrô.

Por Gil Sotero.

 

No  dia 30 de abril o Tweed Ride BH, grupo de ciclistas que amam o universo vintage, realizou mais um passeio pela capital mineira. Nessa edição o cenário para concentração será foi o belo e conservado casarão da década de 1920, no coração do bairro Funcionários, a sede criativa e vitrine do estilista Ronaldo Fraga.

Nesta edição o Tweed Ride BH se uniu a movimentos e personalidades que promovem a cultura vintage na cidade.  Os Be Hoppers grupo de dançarinos que divulgam um estilo de dança do século passado; o Lindy Hop. O MOVA – Museu de Objetos e Veículos Antigos, um complexo cultural que celebra também o passado. E pelo  Grande Hotel Ronaldo Fraga  que através da moda e arquitetura valoriza a cultura vintage, ocupando uma casa dos anos 20 com moda, gastronomia, arte e estética. O Belô Retrô foi a primeira reunião e encontro de públicos que já acompanha os movimentos vintage da cidade além de atrair adeptos dispersos dessa cultura. “O vintage é fonte de inspiração para a  perceptível cultura retrô que tem crescido em vários âmbitos alternativos.  A memória afetiva faz parte do universo do estilista Ronaldo Fraga. “O perfume retrô faz parte do meu trabalho e da minha vida há  20 anos. Desde adolescente gosto de ser antigo. Sou movido pela memória. Verdadeira ou inventada. Escapar para outros tempos, a princípios mais amorosos e elegantes, me alimenta para desenhar o futuro. Este encontro foi antes de tudo uma forma de abraçar afetuosamente a cidade e o espaço público nesses tempos áridos que estamos vivendo” declara Ronaldo.

O evento durou o dia inteiro e contou com passeio, apresentação da banda Faca Amolada, Be Hoppers e também contou com food bikes.

Veja fotos do evento dos fotográfos Gil Sotero, Fê Guimarães e Leopoldo Fontes

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IMG_8067IMG_8094IMG_8097Praça APraça B

O valor afetivo das roupas

Por Mariana Silva*

Hoje em dia, tudo passa muito rápido. Inclusive, roupas. Você chega àquela loja de departamentos enorme, escolhe o que quer levar e, mês que vem, está naquela mesma loja, no máximo varia o shopping, comprando roupas outras vezes. Na primeira lavagem, ou segunda, se você tiver sorte, o tecido se desgasta e a roupa fica parecendo extremamente surrada. Imprópria para o consumo, diriam alguns.

Não faz muito tempo, comprar roupas funcionava assim: existiam as revistas de moda, de onde os moldes saiam. Depois, aquele molde era levado para a costureira. As mulheres trocarem uma ideia para ver se o molde era o ideal.  Era elaborada uma lista de compras. Depois, moça ia ao centro com a mãe. Escolhia o tecido, os aviamentos… Era felicidade garantida por muito tempo com uma roupa duradoura e que, também, enfeitava.

Essas roupas atravessam gerações. Hoje, praticamente não existe mais essa coisa de “roupa antiga”, “roupa da avó”, “roupa herdada”. Meu armário é uma exceção: tenho peças da minha tia, da minha avó, da minha mãe. Todas tão trabalhadas e delicadas, de tecidos tão bons, que resistem ao tempo. São peças com 40, 50 anos de existência que estão como novas. E eu sinto um amor por todas elas.

É quase como se eu carregasse um pedacinho dessas mulheres todas as vezes em que essas peças de roupa cobrem meu corpo. Posso sentir as histórias, as emoções que elas viveram… E todas elas falam de mim também; do amor pela história e pela família. É uma ligação com tempos passados que não voltam mais. Minhas peças vintages vão ao trabalho, á balada, em qualquer canto. E não fico parecendo estar “fantasiada”. Por que uma blusa de renda da década de 1920 não pode ser combinada com uma calça de couro? Quer coisa mais atual?

Com essa rapidez toda, o valor afetivo do vestuário têm ficado, cada vez mais, enfiado em uma gaveta mofada. E isso é tão triste, perde-se tanto de tanta coisa. Perde-se a história de um tempo quando não conseguimos tempo para desacelerar. Fora os impactos ambientais dessa produção desenfreada, as disparidades econômicas horrendas… Mas, não vou pagar sermão porque disso tudo você já sabe.

Vamos combinar uma coisa? Tente, um dia, vasculhar o armário daquela tia estilosa. Todo mundo tem uma. Vá despretenciosamente, sem pressa. Peça para ela passar um café enquanto você checa os cabides. Você pode se surpreender e, de quebra, economizar um dinheiro com peças que vão atualizar seus looks por um bom tempo.  Você pode descobrir histórias incríveis em cada peça. Vá por mim: a viagem vale á pena.

* Mariana Silva – Jornalista da Rede Minas, especializada em moda e amante da cultura vintage.

Vintage & Cultura de Brechó pelo viés político da Moda

 

Por Valéria Said

 

Quem sabe que moda é assunto sério não levou na brincadeira as profecias de Li Edelkoort, uma das pessoas mais influentes do mundo da moda, em seu Manifesto Anti-Fashion. Em seu texto, a trendhunter holandesa afirma que o sistema de produção de moda contemporâneo está obsoleto e pressagia que a tendência para o século XXI é a sustentabilidade como contracorrente a um consumo de moda irresponsável.

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No Manifesto, Edelkoort denuncia a mensagem nada subliminar dos consumidores do fast fashion (aquelas lojas de produção massificada e grandes magazines que copiam as grandes coleções das Semanas de Moda internacionais e as vendem por preços beeeeeeeeem mais acessíveis): “compre, use e jogue fora.

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De fato, essas roupas não são fabricadas para durar e muito menos para criar vínculos emotivos. Em tempos de modernidade líquida, como diria o filósofo Bauman, tudo que possa ser solidamente construído por meio de histórias e afetividades entre uma roupa e o ser humano deve ser dissolvido pelo imperativo da obsolescência programada, representado pelas trocas frenéticas das ‘tendências’ nas vitrines que, após quinze dias, já são consideradas ‘fora de moda’. O que implica, em termos éticos e estéticos, mais resíduos têxteis para o planeta e menos sentido para se tentar expressar uma identidade singular e intuitiva por meio das roupas que usamos no dia a dia.

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Entretanto, muita gente descolada há tempos tem buscado no passado do Século XX inspiração para a produção de looks autorais e afetivos, misturados a roupas contemporâneas, como contracorrente às teorizações da Moda, que enfatizam a busca delirante pelo novo e pela última novidade da estação: a Estética Vintage.

O termo, que tem origem na enologia, isto é, o vinho fino produzido em determinado ano, considerado o melhor da safra, significa, no campo da moda, a recuperação de estilos emblemáticos produzidos pelas melhores ‘safras’ icônicas das décadas de 1920 a 1970. Em relação aos anos oitenta e noventa do século passado, há um consenso na literatura britânica e norte-americana sobre a temática que, por serem décadas mais recentes, conteriam apenas ‘um certo teor vintage’.

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Já uma roupa para ser catalogada como vintage deve ter mais de 20 anos e menos de 100, pois, a partir daí é considerada antiga. Vintage, então, seriam peças originais representativas dos estilos que marcaram as décadas de 1920 a 1970, diferentes de roupas e acessórios retrô, que apenas fazem referência aos estilos ícones dessas décadas, mas são produzidos com tecnologias atuais. Trocando em miúdos: um tweed Chanel costurado na década de 1920, hoje, é um autêntico vintage. Já um conjuntinho feito nos dias atuais, que faz referência ao mesmo modelo criado por Chanel na década de 1920, é retrô.

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E onde garimpar esses achados do passado para serem ressignificados no presente, em looks criativos? Nos cults e cools brechós especializados em acervos de época, muito comuns na Europa e EUA (thrift shops), onde a cultura vintage é forjada desde meados da década de 1920 e tecida com forte viés político e contracultural ao establishment da moda.

“O termo brechó é expressão nossa. Sua origem remonta ao final do século XIX, quando se conta que um mascate de nome Belchior vendia roupas e artigos de segunda mão, no Rio de Janeiro”.

Aliás, o termo brechó é expressão nossa, cuja origem remonta ao final do século XIX, quando se conta que um mascate de nome Belchior vendia roupas e artigos de segunda mão, no Rio de Janeiro, em sua Casa do Belchior”. Esse estabelecimento ficou tão conhecido que passou a designar, pela corruptela ‘brechó’, todo tipo de comércio de usados.

E como a origem dos brechós coincide com o surgimento dos bazares de caridade e mercados de pulgas na Europa e nos EUA, no século XIX, o fenômeno do comércio de segunda mão está relacionado à beneficência, portanto, ligado ao baixo status social, principalmente entre 1890 a 1950, período em que as roupas começam a ser fabricadas em massa e tornam-se mais acessíveis à população. Daí o preconceito no imaginário popular que ainda relaciona a compra de roupas usadas com pobreza material e espiritual: gente que não usa roupas de segunda mão não só por considerar ‘coisa de pobre’, mas também por temer que ‘fluídos negativos’ do proprietário anterior estariam impregnados no ‘espírito da roupa’…

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Absolute Vintage, considerado o melhor brechó vintage de Londres pela revista Style.

Mas, para o bem do planeta Terra e felicidade da nação vintage, esse estigma de consumir roupas usadas tem diminuído a cada dia por nossas bandas. Afinal, garimpar peças de décadas do século XX (e roupas e acessórios retrô, de coleções passadas), além de estimular a caça por verdadeiros tesouros escondidos em brechós, também contribui para expressar uma identidade singular, em looks autorais, cuja produção exige certo capital político e cultural de seus adeptos, uma vez que a opção por assumir o vintage como estilo de vida não está atrelada a questões econômicas, mas à possibilidade de resistência estética à pasteurização de um sistema de moda insustentável, como sugere a reportagem Estética vintage ganha adeptos em BH e chama a atenção nas ruas da capital”.

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“Na premiére do filme Um Poderoso Coração, em 2007, Angelina Jolie usou um little black dress de veludo comprado em um brechó vintage de Los Angeles, e usou com um autêntico Christian Louboutin”

Por exemplo, na premiére do filme Um Poderoso Coração, em 2007, Angelina Jolie usou um little black dress de veludo, estilo anos 1940, comprado em um brechó vintage de Los Angeles, pelo qual pagou a bagatela de 26 dólares, e usou com um autêntico Christian Louboutin (tá bom pra você, querida?). Enfim, apontar a importância do vintage como filosofia de vida e incentivar a formação de uma cultura de brechó na capital mineira, como política pública de sustentabilidade, são os motivos que me levaram a aceitar o convite da Cris Guerra para escrever este artigo.

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E instigar suas leitoras e leitores a re(pensar) a moda nossa de cada dia como uma prática política individual e coletiva é a mensagem que tentei tecer nessas entrelinhas: que cada pessoa se reconheça na forma como se veste, faça do seu look um canal para construir sua identidade, expressar seus valores e emoções perante a sociedade, pois, vestir-se é um ato de comunicação com o próximo e com o mundo, numa possibilidade infinita de narrativas políticas e filosóficas que conectam o passado, o presente e o futuro, cotidianamente.

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Como praticar o Slow Fashion Vintage

1) Potencialize a máxima de que somos o que já temos (e usamos) em nosso guarda-roupa. Compre somente o que você precisa para complementar o que você já tem, mas, antes, pergunte-se: essa peça vai harmonizar com o que já tenho? Preciso realmente desse acessório? Jamais compre qualquer coisa só porque está em promoção ou por uma pechincha: é resíduo de roupa na certa, em seu closet. Aliás, comprar peças baratinhas de qualidade duvidosa, que na quarta lavada vão virar pano de chão, só vai contribuir para aumentar o resíduo têxtil no planeta, que já chega a 13 milhões de toneladas de tecidos jogados fora por ano. E de todo material têxtil que vira lixo, somente 15% é doado ou reaproveitado (telegraf.co.uk).

2) É bom saber qual das décadas vintage tem mais a ver com o seu estilo de vida. Assim, fica mais fácil garimpar as peças do passado que vão compor seu look, misturadas às atuais. Estudar um pouco de História da Moda certamente vai ajudar a entender melhor o contexto político-social que marcou cada década e, desse modo, você poderá se identificar com o espírito vintage que se conecta à sua alma. Eu, por exemplo, sou adepta do vintage sessentista e simpatizante dos Loucos Anos de 1920, não por coincidência as duas décadas que revolucionaram a moda feminina no século XX, política e filosoficamente. Só tome cuidado para não usar todos os signos de uma época e acabar montada para uma festa temática.

3) Garimpar e achar aquela peça baphônica que vai fazer parte exclusiva de sua identidade social e narrar um pouco de sua história por meio de seu look não tem preço! E quer ato mais revolucionário do que unir a ética da sustentabilidade com a estética vintage, numa produção autoral, em tempos de padronização do fast fashion? Há muitos brechós interessantes na Savassi, em Santa Tereza e em Santa Efigênia, por exemplo, onde costumo encontrar verdadeiros tesouros.

4) Vai comprar peças retrô em shoppings? Aproveite as liquidações de coleções passadas para adquirir peças que vão complementar com as outras que já existem em seu closet. Outra opção é ‘garimpar’ em outlets, mas não abra mão de roupas de boa qualidade, que vão durar mais tempo, para criar diferentes looks, no dia a dia. E se enjoar da peça, fica mais fácil desapegar em brechós, que sempre dão preferência para roupas e acessórios de qualidade e em excelente estado de conservação, independente do tempo de uso.

5) Mas o must have para um look exclusivo impregnado de memória afetiva é ter roupas e acessórios vintage herdados de família. Tenho uma coleção pequena, mas de grande valor emotivo, de bolsas, brincos, broches, anéis, isqueiros Zippo, piteira e vestidos vintage e retrô herdados de bisas, avós, tias e mãe, que uso em meus looks diários, misturados a peças contemporâneas. Porque me dá prazer ter uma relação afetiva com o ‘espírito vintage’ das roupas, como sugere o filósofo Baudelaire, em “O Sistema dos Objetos” (Perspectiva, 2006), de modo que eu possa tecer minhas histórias de vida cotidianas, em memórias que tramam o passado, o presente e o futuro. Aliás, quer entender melhor essa pegada espiritual que tenho com as roupas? Leia “O Casaco de Marx” (Autêntica, 2012), de Stallybrass, que retrata a relação de afetividade que as pessoas têm com suas roupas e a importância de trazerem sensações e lembranças que nos remetem a momentos marcantes de nossas vidas.  Abaixo, alguns looks vintage que uso no dia a dia, conforme as dicas.

Valéria Said Tótaro é jornalista (PUC-MG), articulista e professora de Ética e Teorias do Jornalismo. Pós-graduada em Gestão Cultural (UNA), mestranda em Estudos Culturais Contemporâneos (FUMEC), tendo a Cultura Vintage na Moda como objeto de estudo. É adepta da Estética Vintage como opção política e filosófica, foi uma das organizadoras do I Fórum Regional de Brechós em Belo Horizonte, em parceria com a Casa do Jornalista e o atual Museu da Moda (2015), faz palestras e promove debates sobre Slow Fashion Vintage. É mãe do universitário Brunno, de 19 anos, e do Frederyco Bombom, um shih-tzu com ar blasé de 2 aninhos. Curte os modelos vintage da Harley Davidson, mas ainda não sabe pilotar e nem come ervilha de jeito nenhum. Atualmente, é presidente da Comissão de Ética e Liberdade de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJMPG).

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Email: valeriasaid@hotmail.com  | Facebook: Valéria Said  | IG: @valeriasaid

Reprodução Blog da Cris Guerra

As bicicletas na propaganda 

G. Sotero 
Hoje em dia não vemos propagandas de modelos de bicicleta na grande mídia. Somente os carros e motos são anunciados. Mas antigamente  era comum as bicicletas ocuparem os classificados e paginas dos jornais. O Estadão reuniu vários desses anúncios que fazem parte da história do jornal. As artes são também uma viagem no tempo e também evocam a mentalidade de uma época onde a bicicleta era um transporte natural nos centros urbanos brasileiros. 

Chapéu

Por Gil Sotero*

Todo tweedeiro adora um chapéu. Quando comecei a pesquisar o tema não imaginava a variedade, curiosidade e história desse acessório tanto para homens quanto para mulheres! Portanto este artigo será periodicamente acrescido de mais informações.

bikes-chapeuQuando a bicicleta surgiu, homens e mulheres já usavam chapéus. Após os anos 1930 os chapéus passaram a ser vistos como um acessório de vestuário.

 

A palavra CHAPÉU tem origem no latim antigo “cappa”, “capucho” que era usada para descrever uma peça usada para cobrir a cabeça.

Os registos mais antigos sobre a existência e uso regular de proteções para a cabeça, datam do ano de 4.000 a.C. e referem-se ao Antigo Egito, à Grécia e à  Babilônia. Nessa época era normal usarem-se faixas de tecido na cabeça para prender e proteger os cabelos. Foi com a nobreza e a sua necessidade de mostrar o seu status social que mais tarde surgiram os turbantes, as tiaras e as coroas, que também eram usadas, por vezes, pelos sacerdotes e pelos guerreiros, embora com significados sociais distintos.

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No antigo Egito a nobreza se destacava também pelo chapéu

No entanto, a primeira proteção de cabeça digna de poder ser considerada um chapéu, nasceu por volta do ano 2000 a.C. e foi inventado pelos gregos. Conhecido pelo nome de “Pétaso”, este primeiro chapéu tinha uma copa baixa e umas abas largas, sendo usado pelos gregos como proteção nas suas frequentes viagens. Ja na Antiga Roma um gorro em forma cônica era usado por escravos recém libertos como sinal de sua liberdade. A revolução francesa resgatou esse modelo e deu o nome de  “Bonnet Rouge”  tornando-o símbolo do partido republicano.

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Pétaso

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“Bonnet Rouge”

 

No universo feminino um  chapéu feito de arame tecido e joias no formato de coração era muito usado na idade média.

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É claro que as mulheres possuem uma variedade muito grande de chapéus. Há alguns anos  Catarina, Duquesa de Cambridge (Kate Middleton) “causou” no mundo fashion por aparecer em muitas solenidades com os simpáticos casquetes. Uma pequeno chapéu que se tornou popular nos anos 40, mas já era usado décadas antes pelo seu tamanho e gasto de poucos materiais na sua confecção já que o cenário de pós guerra limitou os recursos naturais na Europa.

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Chapéus femininos

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Desconfio que os chapéus foram varridos do dress code feminino devido a  industria da beleza onde os cosméticos voltados para os cabelos aboliram os chapéus e tornaram as mulheres mais adeptas de colorações, chapinhas etc. Outro dia viajando com minha mãe fiz ela adquirir alguns chapéus. No final da viagem minha mãe perdeu menos tempo arrumando, ou lavando cabelo e aproveitou mais os passeios. Chapéu liberta.

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Um dos chapéus que ultrapassaram séculos e ainda é possível vê-los por ai (eu por exemplo sempre uso) é a boina. Há relatos de existência desse tipo de chapéu desde o século XV mas a sua popularização se deu no final do século XVIII por soldados que substituíram o gorro pela boina. Há quem diga que é um “chapéu de velho” mas vou logo avisando; velho é o  preconceito. A boina é mais atual do que nunca e fica bem em muitos looks.

Há uma variedade boa também entre os chapéus masculinos. Muitos ainda são encontrados em cabeças mais ousadas pela rua.

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No geral o chapéu caiu em desuso pela maioria da população. No universo masculino (que não se rendeu totalmente a industria da beleza) entraram em cena os bonés. Outro dia entrei no ônibus usando um chapéu , estilo Pork Pie e notei que os olhares se dirigiam a minha cabeça. De repente reparei que todos que usavam chapéu no local estavam com bonés. Os bonés na maioria dos casos são peças onde as marcas sobressaem, além de ser mais um exemplo de como o mundo fitness usa nosso corpo para manter a construção social de “saude esportiva” no estilo de vida das pessoas, embora nunca na historia da humanidade a população mundial tenha manifestado tantas doenças advindas do sedentarismo.

Ainda bem que há eventos como o tweed para resgatar essas peças tão práticas.

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