O valor afetivo das roupas

Por Mariana Silva*

Hoje em dia, tudo passa muito rápido. Inclusive, roupas. Você chega àquela loja de departamentos enorme, escolhe o que quer levar e, mês que vem, está naquela mesma loja, no máximo varia o shopping, comprando roupas outras vezes. Na primeira lavagem, ou segunda, se você tiver sorte, o tecido se desgasta e a roupa fica parecendo extremamente surrada. Imprópria para o consumo, diriam alguns.

Não faz muito tempo, comprar roupas funcionava assim: existiam as revistas de moda, de onde os moldes saiam. Depois, aquele molde era levado para a costureira. As mulheres trocarem uma ideia para ver se o molde era o ideal.  Era elaborada uma lista de compras. Depois, moça ia ao centro com a mãe. Escolhia o tecido, os aviamentos… Era felicidade garantida por muito tempo com uma roupa duradoura e que, também, enfeitava.

Essas roupas atravessam gerações. Hoje, praticamente não existe mais essa coisa de “roupa antiga”, “roupa da avó”, “roupa herdada”. Meu armário é uma exceção: tenho peças da minha tia, da minha avó, da minha mãe. Todas tão trabalhadas e delicadas, de tecidos tão bons, que resistem ao tempo. São peças com 40, 50 anos de existência que estão como novas. E eu sinto um amor por todas elas.

É quase como se eu carregasse um pedacinho dessas mulheres todas as vezes em que essas peças de roupa cobrem meu corpo. Posso sentir as histórias, as emoções que elas viveram… E todas elas falam de mim também; do amor pela história e pela família. É uma ligação com tempos passados que não voltam mais. Minhas peças vintages vão ao trabalho, á balada, em qualquer canto. E não fico parecendo estar “fantasiada”. Por que uma blusa de renda da década de 1920 não pode ser combinada com uma calça de couro? Quer coisa mais atual?

Com essa rapidez toda, o valor afetivo do vestuário têm ficado, cada vez mais, enfiado em uma gaveta mofada. E isso é tão triste, perde-se tanto de tanta coisa. Perde-se a história de um tempo quando não conseguimos tempo para desacelerar. Fora os impactos ambientais dessa produção desenfreada, as disparidades econômicas horrendas… Mas, não vou pagar sermão porque disso tudo você já sabe.

Vamos combinar uma coisa? Tente, um dia, vasculhar o armário daquela tia estilosa. Todo mundo tem uma. Vá despretenciosamente, sem pressa. Peça para ela passar um café enquanto você checa os cabides. Você pode se surpreender e, de quebra, economizar um dinheiro com peças que vão atualizar seus looks por um bom tempo.  Você pode descobrir histórias incríveis em cada peça. Vá por mim: a viagem vale á pena.

* Mariana Silva – Jornalista da Rede Minas, especializada em moda e amante da cultura vintage.

Vintage & Cultura de Brechó pelo viés político da Moda

 

Por Valéria Said

 

Quem sabe que moda é assunto sério não levou na brincadeira as profecias de Li Edelkoort, uma das pessoas mais influentes do mundo da moda, em seu Manifesto Anti-Fashion. Em seu texto, a trendhunter holandesa afirma que o sistema de produção de moda contemporâneo está obsoleto e pressagia que a tendência para o século XXI é a sustentabilidade como contracorrente a um consumo de moda irresponsável.

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No Manifesto, Edelkoort denuncia a mensagem nada subliminar dos consumidores do fast fashion (aquelas lojas de produção massificada e grandes magazines que copiam as grandes coleções das Semanas de Moda internacionais e as vendem por preços beeeeeeeeem mais acessíveis): “compre, use e jogue fora.

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De fato, essas roupas não são fabricadas para durar e muito menos para criar vínculos emotivos. Em tempos de modernidade líquida, como diria o filósofo Bauman, tudo que possa ser solidamente construído por meio de histórias e afetividades entre uma roupa e o ser humano deve ser dissolvido pelo imperativo da obsolescência programada, representado pelas trocas frenéticas das ‘tendências’ nas vitrines que, após quinze dias, já são consideradas ‘fora de moda’. O que implica, em termos éticos e estéticos, mais resíduos têxteis para o planeta e menos sentido para se tentar expressar uma identidade singular e intuitiva por meio das roupas que usamos no dia a dia.

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Entretanto, muita gente descolada há tempos tem buscado no passado do Século XX inspiração para a produção de looks autorais e afetivos, misturados a roupas contemporâneas, como contracorrente às teorizações da Moda, que enfatizam a busca delirante pelo novo e pela última novidade da estação: a Estética Vintage.

O termo, que tem origem na enologia, isto é, o vinho fino produzido em determinado ano, considerado o melhor da safra, significa, no campo da moda, a recuperação de estilos emblemáticos produzidos pelas melhores ‘safras’ icônicas das décadas de 1920 a 1970. Em relação aos anos oitenta e noventa do século passado, há um consenso na literatura britânica e norte-americana sobre a temática que, por serem décadas mais recentes, conteriam apenas ‘um certo teor vintage’.

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Já uma roupa para ser catalogada como vintage deve ter mais de 20 anos e menos de 100, pois, a partir daí é considerada antiga. Vintage, então, seriam peças originais representativas dos estilos que marcaram as décadas de 1920 a 1970, diferentes de roupas e acessórios retrô, que apenas fazem referência aos estilos ícones dessas décadas, mas são produzidos com tecnologias atuais. Trocando em miúdos: um tweed Chanel costurado na década de 1920, hoje, é um autêntico vintage. Já um conjuntinho feito nos dias atuais, que faz referência ao mesmo modelo criado por Chanel na década de 1920, é retrô.

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E onde garimpar esses achados do passado para serem ressignificados no presente, em looks criativos? Nos cults e cools brechós especializados em acervos de época, muito comuns na Europa e EUA (thrift shops), onde a cultura vintage é forjada desde meados da década de 1920 e tecida com forte viés político e contracultural ao establishment da moda.

“O termo brechó é expressão nossa. Sua origem remonta ao final do século XIX, quando se conta que um mascate de nome Belchior vendia roupas e artigos de segunda mão, no Rio de Janeiro”.

Aliás, o termo brechó é expressão nossa, cuja origem remonta ao final do século XIX, quando se conta que um mascate de nome Belchior vendia roupas e artigos de segunda mão, no Rio de Janeiro, em sua Casa do Belchior”. Esse estabelecimento ficou tão conhecido que passou a designar, pela corruptela ‘brechó’, todo tipo de comércio de usados.

E como a origem dos brechós coincide com o surgimento dos bazares de caridade e mercados de pulgas na Europa e nos EUA, no século XIX, o fenômeno do comércio de segunda mão está relacionado à beneficência, portanto, ligado ao baixo status social, principalmente entre 1890 a 1950, período em que as roupas começam a ser fabricadas em massa e tornam-se mais acessíveis à população. Daí o preconceito no imaginário popular que ainda relaciona a compra de roupas usadas com pobreza material e espiritual: gente que não usa roupas de segunda mão não só por considerar ‘coisa de pobre’, mas também por temer que ‘fluídos negativos’ do proprietário anterior estariam impregnados no ‘espírito da roupa’…

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Absolute Vintage, considerado o melhor brechó vintage de Londres pela revista Style.

Mas, para o bem do planeta Terra e felicidade da nação vintage, esse estigma de consumir roupas usadas tem diminuído a cada dia por nossas bandas. Afinal, garimpar peças de décadas do século XX (e roupas e acessórios retrô, de coleções passadas), além de estimular a caça por verdadeiros tesouros escondidos em brechós, também contribui para expressar uma identidade singular, em looks autorais, cuja produção exige certo capital político e cultural de seus adeptos, uma vez que a opção por assumir o vintage como estilo de vida não está atrelada a questões econômicas, mas à possibilidade de resistência estética à pasteurização de um sistema de moda insustentável, como sugere a reportagem Estética vintage ganha adeptos em BH e chama a atenção nas ruas da capital”.

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“Na premiére do filme Um Poderoso Coração, em 2007, Angelina Jolie usou um little black dress de veludo comprado em um brechó vintage de Los Angeles, e usou com um autêntico Christian Louboutin”

Por exemplo, na premiére do filme Um Poderoso Coração, em 2007, Angelina Jolie usou um little black dress de veludo, estilo anos 1940, comprado em um brechó vintage de Los Angeles, pelo qual pagou a bagatela de 26 dólares, e usou com um autêntico Christian Louboutin (tá bom pra você, querida?). Enfim, apontar a importância do vintage como filosofia de vida e incentivar a formação de uma cultura de brechó na capital mineira, como política pública de sustentabilidade, são os motivos que me levaram a aceitar o convite da Cris Guerra para escrever este artigo.

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E instigar suas leitoras e leitores a re(pensar) a moda nossa de cada dia como uma prática política individual e coletiva é a mensagem que tentei tecer nessas entrelinhas: que cada pessoa se reconheça na forma como se veste, faça do seu look um canal para construir sua identidade, expressar seus valores e emoções perante a sociedade, pois, vestir-se é um ato de comunicação com o próximo e com o mundo, numa possibilidade infinita de narrativas políticas e filosóficas que conectam o passado, o presente e o futuro, cotidianamente.

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Como praticar o Slow Fashion Vintage

1) Potencialize a máxima de que somos o que já temos (e usamos) em nosso guarda-roupa. Compre somente o que você precisa para complementar o que você já tem, mas, antes, pergunte-se: essa peça vai harmonizar com o que já tenho? Preciso realmente desse acessório? Jamais compre qualquer coisa só porque está em promoção ou por uma pechincha: é resíduo de roupa na certa, em seu closet. Aliás, comprar peças baratinhas de qualidade duvidosa, que na quarta lavada vão virar pano de chão, só vai contribuir para aumentar o resíduo têxtil no planeta, que já chega a 13 milhões de toneladas de tecidos jogados fora por ano. E de todo material têxtil que vira lixo, somente 15% é doado ou reaproveitado (telegraf.co.uk).

2) É bom saber qual das décadas vintage tem mais a ver com o seu estilo de vida. Assim, fica mais fácil garimpar as peças do passado que vão compor seu look, misturadas às atuais. Estudar um pouco de História da Moda certamente vai ajudar a entender melhor o contexto político-social que marcou cada década e, desse modo, você poderá se identificar com o espírito vintage que se conecta à sua alma. Eu, por exemplo, sou adepta do vintage sessentista e simpatizante dos Loucos Anos de 1920, não por coincidência as duas décadas que revolucionaram a moda feminina no século XX, política e filosoficamente. Só tome cuidado para não usar todos os signos de uma época e acabar montada para uma festa temática.

3) Garimpar e achar aquela peça baphônica que vai fazer parte exclusiva de sua identidade social e narrar um pouco de sua história por meio de seu look não tem preço! E quer ato mais revolucionário do que unir a ética da sustentabilidade com a estética vintage, numa produção autoral, em tempos de padronização do fast fashion? Há muitos brechós interessantes na Savassi, em Santa Tereza e em Santa Efigênia, por exemplo, onde costumo encontrar verdadeiros tesouros.

4) Vai comprar peças retrô em shoppings? Aproveite as liquidações de coleções passadas para adquirir peças que vão complementar com as outras que já existem em seu closet. Outra opção é ‘garimpar’ em outlets, mas não abra mão de roupas de boa qualidade, que vão durar mais tempo, para criar diferentes looks, no dia a dia. E se enjoar da peça, fica mais fácil desapegar em brechós, que sempre dão preferência para roupas e acessórios de qualidade e em excelente estado de conservação, independente do tempo de uso.

5) Mas o must have para um look exclusivo impregnado de memória afetiva é ter roupas e acessórios vintage herdados de família. Tenho uma coleção pequena, mas de grande valor emotivo, de bolsas, brincos, broches, anéis, isqueiros Zippo, piteira e vestidos vintage e retrô herdados de bisas, avós, tias e mãe, que uso em meus looks diários, misturados a peças contemporâneas. Porque me dá prazer ter uma relação afetiva com o ‘espírito vintage’ das roupas, como sugere o filósofo Baudelaire, em “O Sistema dos Objetos” (Perspectiva, 2006), de modo que eu possa tecer minhas histórias de vida cotidianas, em memórias que tramam o passado, o presente e o futuro. Aliás, quer entender melhor essa pegada espiritual que tenho com as roupas? Leia “O Casaco de Marx” (Autêntica, 2012), de Stallybrass, que retrata a relação de afetividade que as pessoas têm com suas roupas e a importância de trazerem sensações e lembranças que nos remetem a momentos marcantes de nossas vidas.  Abaixo, alguns looks vintage que uso no dia a dia, conforme as dicas.

Valéria Said Tótaro é jornalista (PUC-MG), articulista e professora de Ética e Teorias do Jornalismo. Pós-graduada em Gestão Cultural (UNA), mestranda em Estudos Culturais Contemporâneos (FUMEC), tendo a Cultura Vintage na Moda como objeto de estudo. É adepta da Estética Vintage como opção política e filosófica, foi uma das organizadoras do I Fórum Regional de Brechós em Belo Horizonte, em parceria com a Casa do Jornalista e o atual Museu da Moda (2015), faz palestras e promove debates sobre Slow Fashion Vintage. É mãe do universitário Brunno, de 19 anos, e do Frederyco Bombom, um shih-tzu com ar blasé de 2 aninhos. Curte os modelos vintage da Harley Davidson, mas ainda não sabe pilotar e nem come ervilha de jeito nenhum. Atualmente, é presidente da Comissão de Ética e Liberdade de Imprensa do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJMPG).

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Email: valeriasaid@hotmail.com  | Facebook: Valéria Said  | IG: @valeriasaid

Reprodução Blog da Cris Guerra

As bicicletas na propaganda 

G. Sotero 
Hoje em dia não vemos propagandas de modelos de bicicleta na grande mídia. Somente os carros e motos são anunciados. Mas antigamente  era comum as bicicletas ocuparem os classificados e paginas dos jornais. O Estadão reuniu vários desses anúncios que fazem parte da história do jornal. As artes são também uma viagem no tempo e também evocam a mentalidade de uma época onde a bicicleta era um transporte natural nos centros urbanos brasileiros. 

Chapéu

Por Gil Sotero*

Todo tweedeiro adora um chapéu. Quando comecei a pesquisar o tema não imaginava a variedade, curiosidade e história desse acessório tanto para homens quanto para mulheres! Portanto este artigo será periodicamente acrescido de mais informações.

bikes-chapeuQuando a bicicleta surgiu, homens e mulheres já usavam chapéus. Após os anos 1930 os chapéus passaram a ser vistos como um acessório de vestuário.

 

A palavra CHAPÉU tem origem no latim antigo “cappa”, “capucho” que era usada para descrever uma peça usada para cobrir a cabeça.

Os registos mais antigos sobre a existência e uso regular de proteções para a cabeça, datam do ano de 4.000 a.C. e referem-se ao Antigo Egito, à Grécia e à  Babilônia. Nessa época era normal usarem-se faixas de tecido na cabeça para prender e proteger os cabelos. Foi com a nobreza e a sua necessidade de mostrar o seu status social que mais tarde surgiram os turbantes, as tiaras e as coroas, que também eram usadas, por vezes, pelos sacerdotes e pelos guerreiros, embora com significados sociais distintos.

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No antigo Egito a nobreza se destacava também pelo chapéu

No entanto, a primeira proteção de cabeça digna de poder ser considerada um chapéu, nasceu por volta do ano 2000 a.C. e foi inventado pelos gregos. Conhecido pelo nome de “Pétaso”, este primeiro chapéu tinha uma copa baixa e umas abas largas, sendo usado pelos gregos como proteção nas suas frequentes viagens. Ja na Antiga Roma um gorro em forma cônica era usado por escravos recém libertos como sinal de sua liberdade. A revolução francesa resgatou esse modelo e deu o nome de  “Bonnet Rouge”  tornando-o símbolo do partido republicano.

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“Bonnet Rouge”

 

No universo feminino um  chapéu feito de arame tecido e joias no formato de coração era muito usado na idade média.

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É claro que as mulheres possuem uma variedade muito grande de chapéus. Há alguns anos  Catarina, Duquesa de Cambridge (Kate Middleton) “causou” no mundo fashion por aparecer em muitas solenidades com os simpáticos casquetes. Uma pequeno chapéu que se tornou popular nos anos 40, mas já era usado décadas antes pelo seu tamanho e gasto de poucos materiais na sua confecção já que o cenário de pós guerra limitou os recursos naturais na Europa.

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Chapéus femininos

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Desconfio que os chapéus foram varridos do dress code feminino devido a  industria da beleza onde os cosméticos voltados para os cabelos aboliram os chapéus e tornaram as mulheres mais adeptas de colorações, chapinhas etc. Outro dia viajando com minha mãe fiz ela adquirir alguns chapéus. No final da viagem minha mãe perdeu menos tempo arrumando, ou lavando cabelo e aproveitou mais os passeios. Chapéu liberta.

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Um dos chapéus que ultrapassaram séculos e ainda é possível vê-los por ai (eu por exemplo sempre uso) é a boina. Há relatos de existência desse tipo de chapéu desde o século XV mas a sua popularização se deu no final do século XVIII por soldados que substituíram o gorro pela boina. Há quem diga que é um “chapéu de velho” mas vou logo avisando; velho é o  preconceito. A boina é mais atual do que nunca e fica bem em muitos looks.

Há uma variedade boa também entre os chapéus masculinos. Muitos ainda são encontrados em cabeças mais ousadas pela rua.

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No geral o chapéu caiu em desuso pela maioria da população. No universo masculino (que não se rendeu totalmente a industria da beleza) entraram em cena os bonés. Outro dia entrei no ônibus usando um chapéu , estilo Pork Pie e notei que os olhares se dirigiam a minha cabeça. De repente reparei que todos que usavam chapéu no local estavam com bonés. Os bonés na maioria dos casos são peças onde as marcas sobressaem, além de ser mais um exemplo de como o mundo fitness usa nosso corpo para manter a construção social de “saude esportiva” no estilo de vida das pessoas, embora nunca na historia da humanidade a população mundial tenha manifestado tantas doenças advindas do sedentarismo.

Ainda bem que há eventos como o tweed para resgatar essas peças tão práticas.

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Moda Vintage – O estilo de se vestir nos anos de 1920 a 1960

*Textos por Ana Paula Alvarez e Gil Sotero

 

ANOS 20

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Nos “anos loucos” os vestidos perderam o comprimento e estrutura da Belle Époque, então variavam entre o tornozelo e a batata da perna. Tecidos leves, brilhantes, com texturas e padrões.Meias ganham destaque devido às pernas levemente à mostra. Os sapatos tornaram-se acessórios ainda mais importantes e escolhidos com cuidado pelo fato de agora saltarem aos olhos: bicos arredondados, saltos, fivelas, tiras no tornozelo.Lembre-se de que, apesar do estilo ser importante no evento, o conforto é essencial, então para pedalar você pode usar saltinhos ou até mesmo sapatilhas. Colares compridos (principalmente de pérolas) ajudavam a compor os vestidos soltos, retos ou com cintura baixa. Chapéu também era uma tendência e o modelo mais clássico desse período é o cloche.Maquiagem composta de olhos esfumados com tons escuros, sobrancelha marcada com lápis e lábios vermelhos ou vinhos em formato de coração.

Referências: Coco Chanel, Louise Brooks, Clara Bow, Greta Garbo, Gloria Swanson

 

ANOS 30

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Em tempos de crise, a moda se torna menos ousada. O visual aos poucos se tornou mais sóbrio, porém elegante. A antiguidade clássica voltou a ser admirada e, devido a isso, os vestidos ficaram novamente estruturados, justos e retos. Novidade na época foi o corte enviesado em godê ou evasê das saias que eram combinadas com casacos, boleros ou capinhas e coordenadas com chapéu, luvas e bolsas. Os cabelos, antes curtíssimos nos anos 20, começaram a crescer e agora eram usadas boinas de lado. Sapatos mostrando o peito do pé viraram febre. “No final dos anos 30, com a aproximação da Segunda Guerra Mundial, que estourou na Europa em 1939, as roupas já apresentavam uma linha militar, assim como algumas peças já se preparavam para dias difíceis, como as saias, que já vinham com uma abertura lateral, para facilitar o uso de bicicletas” fonte: Voila Mercedes.

Referências: Marlene Deitrich, Katharine Hepburn, Carole Lombard, Ginger Rogers.

ANOS 40

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O militarismo da Segunda Guerra também invadiu a moda, afinal, estamos falando de algo que é a expressão e reflexo do momento social em que se vive. Vestidos envelopes, ombros marcados e acolchoados. Os tecidos eram pesados e resistentes, como o Tweed (captou a referência? hehe), as cores e estampas mais sóbrias. Meias não eram tão usadas devido à escassez de material, então a costura era pintada na parte de trás como uma linha reta. Hoje em dia você pode usar a meia calça inspirada na origem dessa “gambiarra” dos tempos de guerra. Os cabelos continuavam crescendo e os grampos o prendiam formando charmosos cachos na ponta. A dificuldade gerou versatilidade e assim surgiram modelos de acessórios como o casquete (pequeno chapéu preso de lado) e o fascinator (adorno feito de pedras, pedrarias e plumas). O voilette (véu que cobre o rosto acompanhado de chapéu ou acessório) muito usado na Era Eduardiana voltou com tudo! Maquiagem mais suave com destaque para os longos cílios e batons de cores discretas.

Referências: Ingrid Bergman, Veronica Lake, Bette Davis, Lauren Bacall.

ANOS 50

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A feminilidade foi resgatada como meio de demonstrar segurança no pós-guerra e determinar os papéis sociais. Na altura da metade da panturrilha, os vestidos ganharam aspecto super rodado e cintura marcada graças ao New Look lançado por Christian Dior em 1947. Estampas coloridas, listradas, xadrez, floridas e poás ganharam espaço. A tendência de conjuntinhos de saias e blusas continuou em alta. Com os cabelos ainda maiores, chapéus não eram tão usados para deixar os fios ondulados em evidência. Os sapatos seguiam a linha pump para manter a harmonia da silhueta, peep toe ou scarpin. Nessa época houve o boom das pin ups, cartazes de belas modelos que estampavam as paredes dos alojamentos e permeavam o imaginário dos soldados, que se popularizaram e passaram a definir um estilo: mulheres voluptuosas, femininas e com uma sensualidade um tanto sonsa em situações cotidianas. Até hoje é uma das principais influências quando se fala em moda vintage/retrô.

Referências: Bettie Page, Elizabeth Taylor, Vivien Leigh, Ava Gardner.

 

ANOS 60
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A década da revolução sexual, da rebeldia do Rock n’ Roll e do avanço da tecnologia trouxe rupturas e novos paradigmas na moda. As calças cigarretes ganharam evidência entre as mulheres, os vestidos ficaram retos, mas justos (tubinhos), sem estampas ou com padrões geométricos e cores gritantes.
A minissaia causou furor e combinada com botas de cano longo, principalmente nas cores branca e preta, deu ar futurista influenciado pela cultura POP (vide os looks de Barbara Eden em “Jeannie é um Gênio” e das integrantes da Frota Estrelar em “Jornada nas Estrelas”). Olhos marcados com muito delineador e rímel inspirados na expressividade do olhar da icônica modelo Twiggy, cabelos presos com rabos de cavalos e topetes bem altos com muito laquê.

Referências: Barbara Eden, Brigitte Bardot, Jane Fonda, Catherine Deneuve.

MODA MASCULINA

ANOS 20

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Os anos 20 são citados como tempos loucos de emancipação feminina e claro que isso também interferiu no mundo masculino. No guarda-roupa masculino houve dois momentos. Por influência da guerra as roupas no começo dos anos 20 eram mais justas, com blazers e calças mais curtas mostrando a meia. No final da década os homens adotaram um visual mais largo com calças retas

No lugar de tecidos pesados materiais mais leves como o linho e cores pálidas como branco, castanho, cinza claro e creme. Some o colarinho alto e surgem ternos mais curtos com ombros menos acolchoados. A camisa vinha com punhos de linho independentes e engomados com abotoaduras de madrepérola ou couro. A cintura alta da calça remetia a juventude. A noite o smoking escuro com um lenço branco no bolso esquerdo do paletó garantia o ar esnobe. O paletó atual é baseado nos modelos dessa época. O sportwear começava a se popularizar por isso calças esportivas até altura do joelho e boinas eram usadas mesmo que não estivessem praticando esporte. A barba some e o visual clean com cabelos curtos penteados para trás e bigodes bem aparados faziam parte do visual. Os ricos usavam cartolas, a classe media o fedora e os mais pobres o boné “newsboy’. Nos pés sapatos oxford e nos mais jovens o bicolor, usados para dançar charleston. Sapatos envernizados a noite davam o tom da elegância.

Ícones de estilo Rodolfo Valentino. Douglas Fairbanks, Bobby Jones, Bill Tiden e o aviador Charles Lindberg

 

Anos 30

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A crise de 29 impactou os anos 30. Muita gente empobreceu, empresas faliram e o desemprego estava nas alturas. Cerca de 8 milhões de pessoas estavam sem trabalho nos EUA.  Em épocas assim a moda se torna mais conservadora. O visual nos anos 30 refletia isso. Os homens passaram a um visual mais sóbrio e sofisticado. Os paletós tinham ombros largos, quadrados e fechamento duplo.  Essa década popularizou os estilos gângsteres e homens de negócios nos looks mais copiados. A camiseta branca saiu da roupa de baixo. No filme “Aconteceu Naquela Noite” Clark Gable tira a camisa em uma das cenas e a ausência da camiseta branca fez cair drasticamente a venda da peça nas lojas.  Na cabeça o modelo fedora de chapéu tomava as ruas, meio de lado cobrindo um pouco os olhos e apontando para baixo.  A vida ao ar livre foi exaltada na década de 30. O uso das bicicletas ganharam força e os óculos também. Foi nessa época que surgiu a marca italiana Ray Ban com modelos que ultrapassaram décadas e estão ai até hoje.  O traje de gala consistia em smoking com gravata branca , cartola e sapatos de verniz, um clássico usado até hoje (exceto a cartola). No verão os homens usavam blazers e calças curtas.

Ícone de Estilo; Clark Gable, Fred Astaire, Gary Cooper, Bing Crosby, Ray Milland

 

Anos 40

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A década de 40 foi marcada pela 2ª Guerra Mundial que consumiu vidas e muitos materiais. As fibras naturais foram restritas até por decreto governamental nos Estados Unidos. As fibras artificiais começaram a se popularizar.  Preservar as boas roupas era importante, dessa década surgiram remendos nos cotovelos e retalhos nos bolsos. As pregas sumiram das calças pois desperdiçavam tecido. Paralelamente surgiu nos guetos norte americanos um protesto contra as restrições às roupas.

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Os zoots foram uma das primeiras manifestações passivas pela moda de rua em detrimento ao seu tempo. Surgiu no final da década de 30, através de jovens negros e hispanos do Harlem e Los Angeles que não aceitaram a imposição de racionamento de tecido impostos pela Alemanha Nazista. Os blazers eram largos e compridos e essas características acompanhavam os acessórios. Policiais costumavam espancar quem usava os ternos subversivos pois os consideravam fora da lei.  Apesar da perseguição o terno ganhou adeptos ricos e famosos como Frank Sinatra e Danny Kaye. Os ternos zoots foram os preferidos dos gangsteres em filmes.  Na Inglaterra os zoots foram adaptados e receberam coletes. Jovens dos guetos criaram uma variação chamada spivs, que usavam ternos com lapelas grandes , chapéu triby e o bigode fininho. Ficaram conhecidos como wide boys. Em Paris os zazous eram os equivalentes dos spivs. Os franceses usavam ombros largos, blazers compridos e caças justas. Óculos e guarda-chuvas sempre completavam o look.

A influencia do zoot no visual masculino dos anos 40 é notória. Os casacos grandes e calças igualmente grandes e de cintura alta eram o reflexo desse legado. Na metade dessa década os homens adotaram camisas casuais sem casaco.  Pela primeira vez moda começava a ser ditada não pelos mais velhos e sim pelos jovens.

Icones de estilo; Paul Henreid, James Stwart, Claude Rains Errol Flyn, Henry Fonda

ANOS 50

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Nos anos 50 a moda masculina foi ditada pelos norte-americanos. Com a Europa se reconstruindo do pós-guerra e a american way of life of life em alta e propagada amplamente pela TV, cada vez mais presente nos lares, o resultado foi a predominância do estilo norte-americano. O visual de bons cidadãos imperava. Algodão, lã, flanela, tweed e xadrez eram os tecidos mais usados nas cores, cinza escuro, azul, azul escuro e marrom (o preto ainda não era popular). Camisas listradas, gravatas com nós finos, calças justas no quadril e larga nas pernas e terno escuro era o visual do dia-a-dia. Os coletes deram lugar a cardigans e blusas de lã. Camisa polo com blazers xadrez também eram muito usadas.  No verão camisas com cores berrantes por fora da calça e bermudas e meias.

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James Dean

A juventude já adotava o jeans como peça de rebeldia e camiseta branca e jaqueta de couro virou um clássico apresentada por James Dean. Era o inicio do estilo “Rocker” nos EUA enquanto em Londres os teddy-boys resgatavam elegância eduardiana. Nos pés os mais usados eram mocassins, oxfords, tênis converse preto e branco. Na Inglaterra os Teddy Boys usavam meias coloridas e sapatos de camurça, com sola grossa chamados de “creepers”.  Os chapéus foram dando lugar a cortes militares penteados com topetes como os de James Dean e Elvis Presley. O “rabo de pato” também era popular entre os jovens.

Ícone de estilo James Dean, Clark Gable, Burt Lancaster, Marlon Brando, Elvis Presley.

Anos 60

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Os anos 60 foram turbulentos e cheios de expectativas.  Apesar da força de movimentos como Beatnik e Hippies nenhum movimento cultural ditou tanto a moda entre os jovens quanto o ROCK.  O grupo que mais exerceu influência foram os Beatles, inclusive na moda masculina. Londres ditava também a moda do homem jovem. A alfaiataria prevalecia assim como calças com modelagem mais justas , paletós sem colarinho, japonas de pescador e gola rolê em cores vivas. Os meninos de Liverpool  beberam da fonte indiana e irradiaram esse estilo.  Não era a toa que a Inglaterra ditava a moda à época.  Nos EUA os astros reforçavam algo começado nos anos 50; o jeans e a jaqueta de couro, símbolos de rebeldia.  O estilo de Bob Dylan com suas roupas pretas , calças justas também agradava. No final da década Jimie Hendrix já retrava a psicodelia que dominaria a moda nos anos seguintes. O chapéu saia definitivamente da cabeça dos homens jovens os cabelos grandes, rebeldes e livres compunha o visual masculino.

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Fontes:

Tweed Ride Rio
MENS FASHIONS OF THE 1940s, Written by Carol Nolan
Moda de Subculturas.

Roteiro Assombrado de BH 

por Gil Sotero

 

O Tweed Ride inaugurou o roteiro fantasmagórico de BH para ser feito de bicicleta. O evento aconteceu no dia 21 de outubro, sexta-feira, e terminou praticamente a meia-noite. Os participantes foram convidados a também maquiar os rostos para divulgar o Festival Dia de Los Muertos que acontece em Belo Horizonte no dia 30 de outubro. O clima macabro e ao mesmo tempo festivo contribuiu para um pedal divertido e assustador.  Como o Tweed celebra o antigo e a cultura vintage o evento também foi uma viagem a história da cidade. A pesquisa do roteiro foi feita por Gil Sotero e Javert Denilson baseados no texto da professora Heloísa Starling que descreve no  livro “Guia do Morador Belo Horizonte”, o capítulo sobre os seres assustadores dos primórdios de BH, além de reportagens do Meridianos, Veja BH e Portal R7. Veja aqui o roteiro e descubra um pouco sobre as lendas que povoaram o imaginário dos belo-horizontinos por muito tempo.

01. O ponto de partida foi o Palácio da Liberdade, na Praça da Liberdade. Belo Horizonte foi construída dentro da avenida do contorno. Mas já haviam moradores no antigo vilarejo Curral Del Rey,  que ficava a poucos kms da barroca Sabará. BH já era ponto de abastecimento no auge da mineração de ouro na região. O vilarejo era cheio de casebres e habitados por gente pobre. Tudo foi demolido e queimado e as pessoas expulsas da área, sendo obrigadas a arrumarem casas fora da cidade. Reza a lenda que antes da construção do Palácio da Liberdade em 1897, morava ali um senhora. Ex-escrava e grande conhecedora da magia. Ao ser expulsa a mulher lançou um maldição; os governadores que morassem ali morreriam durante seus mandatos.  A lenda tomou força quando pouco tempo depois morreram nos aposentos luxuosos da casa; Silviano Brandão, em 1902, e João Pinheiro, em 1908. Depois as mortes misteriosas de Raul Soares e Olegário Maciel deram força a estoria. O ex-governador Itamar Franco relatou em entrevistas que no palácio havia coisas estranhas. Há anos o local não é mais usado pelos governadores de Minas como residência e trabalho e dizem que em certas noites de lua cheia um vulto circula angustiado entre o passadiço.

 

02. Descendo pela Cristovão Colombo chegamos à Praça da Savassi.

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Lá a moça fantasma assombra desde os anos 40. Segundo relatos dos antigo ela surge nas madrugadas frias exalando um perfume de jasmim. Vestida de branco ela procura pessoas que sofrem por amor. Ela teria sido uma jovem apaixonada abandonada ao altar.

03-  Seguindo pela Getúlio Vargas, 291, na sede do Jornal Estado de Minas. Um lenda assombra funcionários. Boatos no prédio alegam que o fundador do Diários Associados circula pelos corredores do prédio após a meia noite. “Portas de elevador se abrem, computadores se ligam assim do nada! Ninguem gosta de ficar até meia noite por lá”, declarou em off um funcionário. Chatô, como era conhecido, foi um homem que deixou muitas marcas por onde passou e deve ter guardado essas impressões espirituais em muitas coisas que estão na atual sede do jornal.

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04. No encontro da Getúlio vargas com a Rua do Ouro, onde fica a Vila Rizza, outro fantasma famoso. É o único que, segundo relatos, tem meses e horas certas para aparecer. Meia noite e meia das frias noites de julho. “Alinhado em um terno preto e empunhando um guarda-chuva, o espírito surge na Rua do Ouro para aterrorizar a vizinhança. “Ele dá as caras durante o mês de julho, sempre à meia-noite”, afirma professora Heloísa Starling. “Vestido de funcionário público, nos lembra dos primeiros trabalhadores de Belo Horizonte, que vieram do interior do estado”.

05. Descendo a Contorno e entrando na Rua Manaus 348, o Espaço Luiz Estrela se tornou um lugar lúdico e cheio de vida, porém um passado sombrio torna o lugar assombrado. O prédio era um hospital militar criado em 1913. Anos depois  foi transformado em Hospital de Neuropsiquiatria Infantil por onde cerca de 450 crianças passaram. O jornal Hoje em Dia realizou uma serie de reportagens sobre a história macabra  do prédio cujo sítio arqueológico urbano detêm vestígios de terror, clausura e sofrimento dos pacientes que passaram por lá entre 1947 e 1979. Alguns integrantes da ocupação do atual prédio não se atrevem a passar a noite lá. “Ouvíamos gritos e choros de crianças”, declarou num chat um  anonimo que participou do processo de transformação do Estrela.

06. Voltando pela Avenida Brasil e entrando na Francisco Sales damos de cara com um imponente prédio art decô. Nenhum espaço de BH supera o Hospital Santa Casa como local de almas “desencarnadas”. O hospital foi a primeira instituição de saúde instalada em Belo Horizonte no final do século XIX. Fundada em 1899, 2 anos após a inauguração da capital mineira. o prédio atual foi inaugurado em 1946 e possui 13 andares. O necrotério ficava nos porões. Assombradíssimo.

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07. Seguindo a Alfredo Balena e pegando a Guajajaras chegamos no edifício Arcangelo Malleta que um dia foi o lugar do Grande Hotel, estabelecimento que hospedou em Abril de 1924, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Blaise Cendrars. O poema “Noturno de Belo Horizonte” foi declarado na sua sacada por Mário de Andrade. Em 1940, Juscelino kubitschek e Oscar Niemeyer almoçaram no hotel para discutir os projetos para a Pampulha. O pequeno prédio deu lugar ao primeiro arranha céu de BH: o Edifício Maletta (Conjunto Arcangelo Maletta) construído em 1957, e é um dos mais históricos edifícios do centro de Belo Horizonte. Quando foi inaugurado sua escada rolante virou atração turística, mas era a sua altura que chamava atenção. Logo nos primeiros anos o edifício contabilizou vários suicidas que se jogaram de seu ultimo andar. O prédio acumula histórias estranhas mas hoje ninguém teme os fantasmas de lá.

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08 – Descendo a rua da Bahia cruzando com a Afonso Pena, onde hoje fica o Othon Palace o fantasma de  Maria Papuda é muito conhecido. Segundo a lenda, ela foi a última moradora do Curral del Rey a ter sua casa queimada naquele quarteirão. “A idosa  sofria de bócio, doença co­mum na­queles idos da segunda metade do século XlX e que deixava o papo com aparência de inchaço. Dizia-se que a velha era uma curandeira e mui­to mal-humorada. O mau humor só aumentou mais ainda quando ela soube que teria de deixar sua cabana. Maria Papuda só deixou sua choupana arrastada por guardas en­carregados do des­pejo, amaldiçoando todos  os novos moradores da cidade.

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09- Viaduto Santa Tereza

O cartão postal mais conhecido do centro de BH também possui um fantasma famoso cuja lenda surgiu na década de 40. “Avantesma” é um termo utilizado para descrever uma pessoa ou coisa que assusta ou cuja presença é desagradável ou repugnante. Não rara a hipótese de que, uma vez em contato com o íntimo de um avantesma, exista uma prévia rejeição alheia” reza o dicionário brasileiro.

“O Aventesma da Lagoinha é uma aparição sem rosto, pouco mais que uma sombra excêntrica, que chora convulsivamente e cheira a enxofre. Antigamente, ele gostava de assustar os motoristas dos bondes, sentando-se imóvel nos veículos” fonte R7. Os condutores do bonde, principalmente os que rodavam a noite, temiam o avantesma. A criatura adorava assustar pedestres, motoristas e condutores do bonde e depois se dissolvia no ar. Alguns acidentes com bonde eram atribuidos a aparição do fantasma.

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10 – Praça da Estação

O vagão fantasma foi uma lenda urbana que existiu em BH nos anos 50. Os trens que saíam e chegavam carregavam passageiros e histórias tristes. Muitos suicídios foram cometidos em vagões que partiam de BH com direção a Barbacena, para onde pessoas eram enviadas como “loucas” para nunca mais voltar. Uma lenda específica fala da história de uma familia que chegou à capital vinda do interior. Pais e filhos chegaram mortos no trem. Mais tarde souberam que o pai envenenou a própria família como resposta ao desespero financeiro de ter deixado sua cidade e vindo para capital em estado de pobreza. O vagão que morreu a familia ficou amaldiçoado. Ninguém queria viajar nele. Reza a lenda que a cia ferroviária teve que remover o vagão da composição pois estava dando prejuízo.  O que tem essa estoria de verdade pouco sabemos, mas o local guarda muitos espiritos.

11 – Cemitério do Bomfim.

Outra lenda famosa e também nascida na decada de 40; A Loira do Bomfim. A estoria conta que uma mulher muito bonita e loira costumava pedir carona a motoristas nos arredores da capital mineira, na madrugada. Ao se aproximarem do endereço constatavam que ela morava no cemiterio. A garota descia do carro e sumia entre os túmulos do Bomfim.   A lenda era tão respeitada e temida que antigamente, por medo da Loira do Bomfim, motoristas de táxi e condutores do bonde não aceitavam parar de madrugada nas imediaçoes do cemitério.

Apesar da famosa fantasma, o cemitério vale uma visita pelo acervo de esculturas que compõem os túmulos.

Veja a galeria do pedal. Fotos Maria Laura Moreira

Roteiro.

roteiro

Fontes; Portal R7, Veja BH, 360 meridianos

Tweed Ride e a Memória Afetiva

Por Álvaro Assis.

Todos sabemos que o Tweed Ride flerta com a memória afetiva das pessoas e que por sua vez, essa “memória”, também abastece os pensamentos e ações na Cultura Vintage, ou em vários segmentos da vida. Mas o que vem a ser Memória Afetiva? É tudo aquilo que geralmente refere-se à construção de sua identidade. Nas suas lembranças e experiências de vida junto à sociedade. Nem sempre, vem acompanhadas de boas recordações. Mas, voltando no âmbito do Tweed, a bicicleta está intrinsecamente ligada nessa memória afetiva pois nos remete à infância! De quando aprendemos à pedalar, ou nem sabendo utilizar, observávamos nosso país, avós ou parentes em sua “magrelas “raríssimas. A bicicleta geralmente traz uma ótima recordação! Lembre-se dos dias ensolarados com o céu límpido. Do cheiro do cafezinho e o bolo sendo preparados. Do silêncio de lugares onde cabia apenas a manifestação do vento. De brincar na chuva e de quanto as coisas pareciam imensas. Do “faz de conta”e as cortinas balançando nas janelas. No charme das pessoas e das paixões arrebatadoras no cinema. Geralmente, ela sempre esteve lá, com sua cores e cromados reluzentes… A memória afetiva, a bicicleta e o Tweed podem nos levar à viagens inesquecíveis. É como uma boa bebida. Você deve usar com cuidado e moderação! Portanto, muito prazer e enriquecimento da sua memória que é infinita